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Este site nasceu em 2015. Ele é parte integrante do Pimentalab – Laboratório de Tecnologia, Política e Conhecimentohttp://blog.pimentalab.net , coordenado por Henrique Parra – opensocialsciences [arroba] gmail.com

Com a virada do ano inicio a participação em dois novos projetos de pesquisa e extensão, ambos com 24 meses de execução.
Alimentarei este site até sua conclusão. Neste percurso vou registrar parte do meu processo de investigação e disponibilizar os materiais que eu for encontrando ou produzindo pelo caminho. Pra facilitar a coleta e organização das informações utilizarei ferramentas complementares: wikis, agregadores de links, twitter, fotoblog. O site funcionará como ponto de convergência das informações registradas nessas várias ferramentas. Paralelamente, cultivarei uma escrita regular na forma de ensaios sobre temas afins.

Mas do que trata esses projetos?

Os dois projetos são muito distintos. Porém, há questões e problemas comuns.
Este site objetiva contribuir para aquilo que há de comum entre eles, dando visibilidade e fazendo crescer as zonas de vizinhança, seja entre os problemas tratados nas pesquisas, ou entre os atores envolvidos. Por isso, resolvi mistura-los aqui.

Nas páginas acima você encontrará mais informações sobre cada um dos projetos (Ciência Aberta e Desenvolvimento Local em Ubatuba;   Tecnopolítica e Conhecimentos Situados). Sinteticamente, direi o seguinte:

Interesso-me pelas transformações nos modos como acessamos e compartilhamos informações, como produzimos e organizamos os conhecimentos; mas também pela maneira como essas transformações se relacionam com as formas de organização de coletivos humanos e sua política. Mas observo isso sob um recorte preciso: as reconfigurações das relações sociais mediadas por tecnologias de comunicação. Há, portanto, uma tripla articulação entre processos sociais e cognitivos (produção de conhecimento); tecnologias de comunicação e suas linguagens; a política que produz ou resulta dessas composições.

No projeto Ciência Aberta e Desenvolvimento Local pretendo refletir sobre as práticas de colaboração e abertura no processo de produção de conhecimentos entre cientistas e não-cientistas. Graças às tecnologias digitais temos observado o surgimento de experiências muito inovadoras, mas que também enfrentam inúmeros desafios. Quais os efeitos, os arranjos organizacionais, as transformações nas dinâmicas sociais, as mutações nas formas de conhecer, de validação ou reconhecimento do conhecimento produzido? Enfim, há muitas questões em jogo.

No projeto Tecnopolítica e Saberes Situados caminho numa direção complementar (pra não dizer oposta). Aqui, os efeitos da produção de informações através das tecnologias digitais de comunicação é investigada enquanto dispositivo de controle. As tensões entre transparência, privacidade, identificação, anonimato, liberdade de expressão e de conhecimento, adquirem novos contornos. Cada coletivo, instituição ou indivíduo procura organizar de uma nova forma as fronteiras entre o que são dados públicos e dados privados. Porém, é muito difícil entender os detalhes e as minúcias relativas à tecnicidade desses dispositivos e por isso temos dificuldade em apreender as possibilidades ativadas pelo uso desses aparatos técnicos. É por isso que recorro aos conhecimentos de hackers e tecnoativistas. Sua posição no mundo os torna mais sensíveis às características do ambiente em formação. Eles percebem de forma mais aguda os problemas emergentes.

 

Uma forma de pesquisar

Em ambos os projetos a realização da pesquisa depende de intenso processo colaborativo entre nós (pesquisadores) e todos os demais atores. Tal aliança se faz necessária por diferentes motivos:(1) a complexidade dos problemas abordados exige a combinação de diferentes saberes, experiências e perspectivas (caráter situado do conhecimento); (2) os conhecimentos científicos, dada a natureza e ritmo da produção acadêmica, é incapaz de dar conta (sozinha) das transformações em curso.

Faremos uso de procedimentos de pesquisa-ação, co-pesquisa e outras práticas que visam estabelecer relações mais horizontais entre os vários sujeitos e saberes envolvidos no processo.

A pesquisa não está dissociada de ações que objetivam estabelecer novas relações entre os atores e também com o mundo. Nesse sentido, há processos de co-criação (ao invés de intervenção). E onde há criação de novos mundos partilhados há política.

Para criar relações de cooperação entre os atores devemos encontrar uma boa forma de condução da vida, uma ética. Num projeto caminhamos inspirados pela construção dos princípios de uma prática de ciência aberta; no outro, pretendemos colaborar com o desenvolvimento de um protocolo ético-político para as relações entre cientistas e tecnoativistas.

Outra estratégia comum na realização desses projetos é a criação/escolha de situações problemas. De certa maneira, estamos “produzindo” os problemas que colocarão em movimento as questões que estamos investigando. Trata-se, portanto, de uma ensaio performativo, protótipo de situações que provocam experiências (ao invés de experimentos) para a investig[ação].