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Estrutura “Guarda-Chuva” dos Projetos de Pesquisa desenvolvidos em 2015 e 2016.

 

Índice

  • 1 Apresentação
  • 2 Linhas de Pesquisa
  • 3 Linhas de Extensão e Pesquisa Aplicada
  • 4 Projetos de Pesquisa em andamento
  • 5 Problema Macro-Teórico
    • 5.1 Recortes teóricos
    • 5.2 Sub-Projetos Específicos: outros recortes possíveis

Apresentação

Em diferentes sociedades e em cada momento histórico, podemos estabelecer relações de interdependência entre os modos de organização social, as formas de produção/difusão de conhecimentos, as tecnologias de comunicação e as formas de exercício do poder.

Atualmente, no campo da produção/difusão de conhecimentos observamos mudanças radicais na relação com o saber, tanto na forma de acesso quanto nas próprias formas e locais de produção de novos saberes, em parte relacionadas à crescente mediação das tecnologias digitais. Simetricamente, observamos no campo político profundas transformações nos modos de ação e mediação institucional, seja na prática de grupos ativistas, movimentos sociais ou mesmo em novas individuações coletivas e modos de subjetivação política que tem emergido. Nesses dois eixos (saber-poder) há dinâmicas e problemas comuns relativos à mediação das tecnologias digitais de comunicação que nos interessa analisar.

É nesta zona de intersecção que concentramos os projetos do Pimentalab[1][2]. Mais especificamente, o programa atual de pesquisa tem como campo empírico de investigação um conjunto de práticas científicas, organizações sociais, coletivos e movimentos sociais que atuam em temas relacionados a novos modos de conhecer e se organizar mediante a utilização das tecnologias de comunicação digital. Concretamente, observamos as práticas de: grupos tecnoativistas, comunidades hackers e ciberativistas, coletivos de mídia radical/independente, pesquisadores ativistas/militantes, iniciativas de ciência cidadã/amadora e artistas que atuam sobre a relação sociedade-tecnologia.

Ao mapearmos e analisarmos um amplo conjunto de experiências procuramos identificar elementos que possam constituir uma gramática comum, um repertório partilhado de formas de ação, organização, modos de conhecer e princípios ético-políticos. A escolha de algumas dessas experiências, justamente pela forma como enunciam e tensionam certos problemas contemporâneos, permite-nos examinar transformações sociais que possuem amplo alcance. Para isso, nossa atenção estará dirigida para alguns aspectos que identificamos como transversais a essas experiências e que possuem modulações e combinações distintas em cada caso. Tais elementos tornam-se os vetores de análise para que possamos interrogar os novos problemas (teóricos e práticos) que surgem. Neste sentido, podemos destacar as seguintes temáticas como possíveis recortes para projetos de pesquisa mais específicos:

  • tecnopolítica: tecnologia e prática politica; modos de apropriação e uso de tecnologias; disputas sobre a dimensão sociopolítica da tecnologia e os efeitos do design incorporado; relação tecnologia e democracia.
  • reconfigurações da política: poder, ativismo, resistência e criação, movimentos sociais e sociedade de controle.
  • produção de conhecimentos situados e pesquisa ativista: ciência cidadã (amadora ou ativista); co-pesquisa; conhecimento rebelde; pesquisa participativa.
  • economia da informação e do conhecimento: trabalho imaterial, tensões sobre as políticas de acesso e difusão da informação, commons, produção entre pares (p2p) e capitalismo informacional.
  • linguagens e conhecimento sensível: visualidade, tecnologias de imagem, sociologia/antropologia visual; imagem e suas epistêmes; formas de comunicar e tornar apreensivel dimensões sensíveis do conhecimento.
  • metodologias de pesquisa e educação: co-pesquisa, experiência, prototipagem, metodologias participativas, educação democrática, pedagogia radical; educação expandida.
  • micropolítica e modos de subjetivação: modos de associação, organização e ação coletiva; poder, autonomia e crítica institucional.

Linhas de Pesquisa

  • Tecnopolítica e Ação Coletiva: tecnoativismo, movimentos sociais e internet, comunidades hackers, ciberpolítica, sociedade de controle, acesso à informação, liberdade de expressão, privacidade, economia informacional, trabalho e capitalismo.
  • Conhecimentos Situados, Modos de Organização e suas Tecnologias: modos de organização social e micropolítica; modos de subjetivação; tecnologia e conhecimento; educação expandida, ciência cidadã/ativista; educação e pesquisa.

Linhas de Extensão e Pesquisa Aplicada

  • Desenvolvimento e difusão de tecnologias sociais: explorar as relações entre organização, relações de poder, tecnologias de comunicação e produção de conhecimento em coletivos, movimentos sociais e organizações.
  • Metodologias para ensino, pesquisa e organização social: sociologia amadora, ensino como pesquisa, sociologia prática, educação democrática.

Projetos de Pesquisa em andamento

Tecnopolitica e Saberes Rebeldes – 2015-2016 – Apoio Ford Foundation.

Ciencia Aberta e Desenvolvimento Local – 2015-2016 – Apoio OCSDnet – Canadá.

 

Problema Macro-Teórico

Modos de Conhecer e tecnologias de comunicação: acesso à informação e participação distribuída; sociedade de controle e criação democrática
A emergencia de novas formas de produção de conhecimentos e ação coletiva através das mídias digitais é um terreno em disputa. Graças às TICS há uma combinação de: participação distribuída em redes digitais; produção infinita de dados mediante rastreabilidade de toda interação em meios digitais; convergência digital; novas informações e conhecimentos produzidos. Estamos, todavia, no contexto do capitalismo informacional e da sociedade de controle.

A lógica da participação, presente de diversas formas na experiencia politica de diversas democracias contemporaneas, manifesta-se de diferentes formas nas práticas de produção colaborativa, seja no âmbito da ciência cidadã/amadora, como nas dinâmicas sociais cotidianas cibermdiadas. Frequentemente, porém, esta participação é reduzida ou transformada num modo de governo, forma de condução da vida (biopolitica).

Como fator complementar, não podemos perder de vista que a mediação das TICS está muito concentrada nas mãos de corporações privadas. Recentemente, observamos como a colaboração estatal-corporativa serviu para a expansao da vigilância e gestão populacional em escala planetária.

Da mesma forma como nos séculos anteriores vimos o surgimento de novas ciencias (epidemiologia, economia politica…) que se combinaram a novas formas de governo, hoje estamos diante de novas formas de conhecer que ensejam novas formas de governo e controle social.

Ao delinear características que possam compor uma gramática comum a este conjunto diverso de experiências, nosso objetivo mais amplo é apreender as reconfigurações entre as dinâmicas de autonomia e resistência face às novas formas de sujeição social e servidão maquínica (Deleuze & Guattari, 2005). Indiretamente, pretendemos interrogar as possibilidades e limites para a produção de conhecimento no campo das ciências humanas através das tecnologias digitais: como delinear a tênue fronteira entre as humanidades digitais, a engenharia social, o capitalismo cognitivo e a formação da sociedade de controle?
Sub-questões e Temas

  • Relação entre tecnologias, conhecimento e prática política.
  • Nova cultura política
  • Tecnoativistas, Tecnocidadãos: novas formas de produção de conhecimento para uma nova política?
  • Relação entre ecossistema sociotécnico de comunicação (tecnologias digitais) e mudanças no regime de produção de conhecimento e de poder.
  • Tecnoativismo e acesso à informação: dilemas da abertura, segurança e privacidade.
  • Inovação Cidadã, Participação 2.0 X Coletivos tecnoativistas: tecnologias sociais entre a captura, a resistencia e a criação.
  • Ciencia cidadã, ciencia ativista, conhecimento rebelde. Qual a cultura epistêmica desses grupos? Casos de pesquisa-social, pesquisa-militante, grupos comunitários que fazem uso de TICs.
  • Movimentos sociais e uso de tecnologias
  • Educação e tecnologia: práticas inovadoras de uso de tics.
  • Participação social, democracia digital, participação cidadã.
  • Quais os repertórios, trocas de conhecimentos, modos de organização que estão fluindo de um lado para outro, dando forma a uma nova cultura política?
  • Que novas institucionalidades estão sendo gestadas?

Recortes teóricos

[1] Relação entre as culturas epistêmicas (em grupos tecnoativistas e coletivos experimentais) e a emergência de novas práticas políticas e institucionais.

Os problemas:

  • relação cultura epistemica X cultura política
  • relação tecnologia X democracia: escolhas/desenhos sociotécnicos implicam em questões políticas
  • efeitos das composições sociotécnicas (TICs) na vida social (sociabilidade, política e conhecimento).
  • relação conhecimento científico X conhecimento extra-científico: ciencia e democracia.
  • privacidade X opendata: segurança X privacidade X transparência: necessidade de maior abertura e transparencia para produzir confiança e mobilização e ter mais colaboração versus, necessidade de segurança e privacidade.
  • invisibilidade, não-compreensão da complexidade dos problemas – como tornar intelegível?
  • capitalismo cognitivo

[2] Emergência de novos atores políticos-cognitivos

  • tecnocidadãos;
  • pesquisadores ativistas, movimentos sociais engajados na produção de contra-expertise;
  • ciencia amadora, ciencia cidadã

Característivas:

  • mobilizar diferentes atores
  • pesquisa aberta/colaboração
  • capacidade de comunicar + sensibilizar sobre o problema
  • participação do público.
  • economia da informação voltada ao commons em detrimento da propriedade intelectual exclusiva.

[3] Novos diagramas organizacionais, novas formas políticas e suas tecnologias

  • movimentos sociais e internet
  • tecnopolíticas e novas formas de organização social
  • democracia digital, participacionismo, inovação cidadã.

[4] Acesso ao conhecimento e os dilemas da abertura:

  • privacidade
  • controle
  • transparência
  • capitalismo cognitivo.
  • participação como governamentalidade: novos saberes X novas formas de governo.

Sub-Projetos Específicos: outros recortes possíveis

1. Tecnologias Digitais e Vida Social: modos de uso e efeitos das tecnologias digitais em aspectos relacionados à interação social, sociabilidade, privacidade, intimidade, visualidades, identidade, tecnoestéticas.

2. Ação coletiva, Movimentos Sociais e Internet: quais são os usos, as tecnologias e modos de apropriação tecnológica; quais os problemas, desafios e efeitos; tecnodeterminismo X determinação sociopolítica da tecnologia; emergencia de novos atores e práticas políticas.

3. Ecologias de comunicação e conhecimento: como determinadas comunidades/grupos acessam informação; partilham e se organizam; efeitos da mediação técnica na organização do conhecimento local.

4. Sociedade de Controle e tecnologias: vigilância, retenção de dados, profiling, economia de vigilância.

5. Economia da informação e do conhecimento: novas formas de trabalho e produção de valor; propriedade intelectual; acesso ao conhecimento.

6. Metodologias alternativas de pesquisa, ensino e organização social: tecnologia e educação; pesquisa participativa; ciencia cidadã; ciencia ativista; participação social; pedagogia radical; cultura hacker.